quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Boa ação de marketing, mas é boa!

A estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), na orla de Copacabana, foi adotada oficialmente no início da tarde de hoje, dia 1º, pela empresa Essilor, fabricante das lentes Varilux para óculos. A assinatura do termo de adoção, com validade de dois anos, ocorreu na sede da Fundação Parques e Jardins, no Campo de Santana, Centro do Rio.A empresa informou que os óculos da estátua do poeta, furtados no mês passado por vândalos, serão recolocados no próximo dia 17, data do 21º aniversário da morte de Drummond. Para inibir novos furtos, a Essilor planeja instalar câmeras de televisão no monumento.A estátua é feita de bronze, em tamanho natural, e reproduz a figura de Drummond sentado, de costas para o mar, num dos bancos do calçadão de Copacabana. A peça está no trecho da Avenida Atlântica na altura do Posto 6, próximo à Avenida Rainha Elizabeth, local preferido do poeta em seus passeios de fim de tarde. No banco que serve de base para a estátua, está esculpida a frase: “No mar estava escrita uma cidade”.


http://noticiasrio.rio.rj.gov.br/index2.cfm?sqncl_publicacao=11580


*Eu tinha esquecido de postar , mas amei esta noticia do dia 06/08.
Agora quando perguntarem onde trabalho, vou gostar de dizer: Sabe aquela empresa que adotou a estátua do Drummond em Copa?? É lá!

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Para atravessar agosto


Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé.
Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro - e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco.
É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente.
Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir. Dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons deixam a vontade impossível de morar neles; se maus, fica a suspeita de sinistros augúrios, premonições. armazenar víveres, como às vésperas de um furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito critério de qualidade. Muitos vídeos, de chanchadas da Atlântida a Bergman; Muitos cds, de Mozart a Sula Miranda; Muitos livros, de Nietzsche a Sidney Sheldon. Controle remoto na mão e dezenas de canais a cabo ajudam bem: qualquer problema, real ou não, dê um zap na telinha e filosoficamente considere, vagamente onipotente, que isso também passará. zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos.
Claro que falo em agostos burgueses, de médio ou alto poder aquisitivo. não me critiquem por isso, angústias agostianas são mesmo coisa de gente assim, meio fresca que nem nós. Para quem toma trem de subúrbio às cinco da manhã todo dia, pouca diferença faz abril, dezembro ou, justamente agosto. Angústia agostiana é coisa cultural, sim. E econômica. Mas pobres ou ricos, há conselhos - ou precauções - úteis a todos. o mais difícil: evitar a cara de Fernando Henrique Cardoso em foto ou vídeo, sobretudo se estiver se pavoneando com um daqueles chapéus de desfile a fantasia, categoria originalidade... esquecê-lo tão completamente quanto possível (santo zap!): FHC agrava agosto, e isso é tão grave que vou mudar de assunto já.
Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu - sem o menor pudor, invente um.pode ser Natália Lage, Antônio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do pacífico sul, Grécia, Cancún, ou Miami, ao gosto do freguês. que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à luz da lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. bem molhados.não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se ou lamuriar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques - tudo isso ajuda a atravessar agosto.
Controlar o excesso de informação para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são. esquecer o Zaire, a ex-Iugoslávia, passar por cima das páginas policiais. aprender decoração, jardinagem, ikebana, a arte das bandejas de asas de borboletas - coisas assim são eficientíssimas, pouco me importa ser acusado de alienação. é isso mesmo; evasão, escapismos. assumidos, explícitos.Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter demais no tema. mudar de assunto, digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco:.
Caio Fernando Abreu (O Estado de São Paulo, 06/08/95)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Misto Quente, Charles Bukowski

Terminei de ler o Bukowski que ganhei (Misto Quente).
Demorei, não por falta de vontade, mas por falta de tempo (ahh e quando eu gosto muito , leio devagar para "não gastar" ¹)
Já tinha ouvido falar do Bukowski, acho que quando conheci o Crumb, dai pesquisei a biografia dele e sempre quis ler algum de seus livros, até que ganhei Misto Quente no dia dos namorados e mergulhei.
O velho Buck é daqueles que se ama ou se odeia e eu adoro isso: Intensidade.
O cara escreve sem rodeios.É direto, cru e sujo.
Misto Quente, dizem os críticos, tem um quê de autobiografia e conta a hitória de Henry Chinaski (Bukowski), nascido na Alemanha e que ainda criança chega aos EUA em plena recessão dos anos 30.
Pobre, feio, tímido e que de tanto ser excluído, passa a excluir.
Pai fracassado e um tanto psicótico, mãe passiva, vida de aparências.
Apesar de tudo isso, Henry não se faz de coitadinho ou tao pouco se porta como heroi.Ele apenas vai levando, apático, duro e cada vez mais seco.
Foi ai que me ganhou.
As criticas à sociedade estão inseridas nas entrelinhas, nas observações que Henry faz acerca da sociedade e de si mesmo...Não há choros ou vitórias.
Sem talento, sem diploma, sem vontade de trabalhar e cada vez mais afogado no álcool e nos cigarros, é nos livros da biblioteca pública e em escritores como Fante, Upon Sinclair que Henry forma e desenvolve seu pensamento crítico. Começa a escrever, chega a criar um herói aviador, mas seu pai encontra seus escritos e fica chocado, jogando tudo pelas ruas.
Só resta ao jovem Chinaski o submundo. Vivendo de jogos e gastando o pouco que ganha com álcool e cigarros.Não fica triste, gosta de estar só.
Um texto forte, sincero e simples. Sem firulas. Um soco na cara.

"Sentei-me novamente e servi um copo de vinho. Deixei a minha porta aberta. A luz do luar entrou trazendo consigo os sons da cidade: vitrolas, automóveis, palavrões, latidos, rádios… Estávamos todos juntos nisso. Todos juntos num grande vaso cheio de merda. Não havia escapatória. Todos desceríamos juntos com a descarga"

¹- Renatice

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Renatice

De um filme (não sei qual o nome) que vi ontem:


"Não importa o que você diz, ou quantas vezes diz "eu te amo". O que realmente é importante é o que você faz às pessoas que diz ama"
Ai eu lembrei de CLOSER, que eu revi sábado:
“Dan: - Eu te amo!
Alice: - Onde?
Dan: - O quê?
Alice: - Me mostra! Cadê esse amor? Eu não o
vejo. Não posso tocar nele. Eu não sinto. Eu te ouço, escuto umas palavras...
mas não posso fazer nada com suas palavras vazias.”

É, eu decoro / anoto os diálogos dos filmes. Já os nomes dos
filmes...