"O Sol é para Todos" foi o 1º livro para "gente grande " que li. Eu devia ter uns 11 anos e é claro que não entendi a complexidade dos assuntos abordados no texto, que depois vim saber tratar-se de um clássico da lit. Americana.
Sempre tive um carinho enorme por esse livro. Minha mãe leu, minha irmã leu e depois eu li.
Se eu tivesse um pai, queria que ele fosse o Atticus, se eu tivesse um irmão o Jem seria perfeito...
Vou reler com carinho.E lembrar de pegar o exemplar que está lá na estante da minha mãe.Sem capa e amarelado, mas que além da historia da Scout, traz pra mim o cheirinho da minha infância.Dessas coisas que só os livros nos trazem.
E eu me mostro através das letras. Mas para que você me veja, é preciso ler as entrelinhas...
sábado, 14 de junho de 2014
domingo, 4 de maio de 2014
Uma Vida baseada em uni-duni-tê
Podem colocar na minha biografia: "E as escolhas de sua vida foram baseadas em uni-duni-tê".
Antes mesmo de vir ao mundo, fui tema involuntário de um sorteio. Explico/: Minha mãe queria que meu nome fosse Marjorie (nome de uma modelo que fazia sucesso nos 70´s). Meu avô retrucou: "Mas eu nunca vou saber falar isso" (o nome é francês, pronuncia-se mais ou menos, faz biquinho: /MarRjôrri/) e sugeriu um monte de outros nomes (sabendo que ele queria batizar minha irmã de Edméia, vocês podem ter uma idéia da lista).
Reza a lenda que mamãe não queria ir contra as ideias do vovô, mas também não curtiu nenhum dos nomes apresentados (ufa) e alguém teve a fabulosa idéia de fazer um sorteio de nomes (#medo), colocando todas as opções num saquinho e fazer uma melhor de 3. Renato seria uma homenagem ao meu padrinho e não só entrou no saco, como dizem ter saído 3 vezes. (#sorte).
Na minha infância, segui a sina. Escolhia tudo na base do sorteio, par ou impar ou do "uni-duni-tê", de doces a quem seria o líder do time de queimado.
Na adolescência fui aprimorando as técnicas e escolhia músicas para ouvir e roupas no uni-duni-tê e sinceramente nem percebia, era natural pra mim.
Hora de escolher o curso da Faculdade, claro que seria no sorteio, estilo melhor de 3 e, 3 vezes Letras. Pronto, decidido.
Quando contei isso,despretensiosamente num bate papo com a Marcela, amiga da vida inteira e, formada em...Matemática, é claro que ela analisou e falou:"mas se você sempre começar o "uni-duni-tê" pelo lado direito, o esquerdo ganhará e vice-versa, já que a musiquinha tem um numero certo de silabas, noves fora, multiplicado por 30 e dividido pela enésima potência blábbáblá #MEUMUNDOCAIU , afinal se estou numa lanchonete escolhendo um sanduíche não dá tempo de fazer o sorteio melhor de 3 e era sempre o "uni-duni-tê" que me salvava.
Assim, depois de muito pensar, desenvolvi um novo método "uni-duni-tê" que é quase uma coreografia. Quase um captcha da vida real. Voltei a minha vida normal.
Antes mesmo de vir ao mundo, fui tema involuntário de um sorteio. Explico/: Minha mãe queria que meu nome fosse Marjorie (nome de uma modelo que fazia sucesso nos 70´s). Meu avô retrucou: "Mas eu nunca vou saber falar isso" (o nome é francês, pronuncia-se mais ou menos, faz biquinho: /MarRjôrri/) e sugeriu um monte de outros nomes (sabendo que ele queria batizar minha irmã de Edméia, vocês podem ter uma idéia da lista).
Reza a lenda que mamãe não queria ir contra as ideias do vovô, mas também não curtiu nenhum dos nomes apresentados (ufa) e alguém teve a fabulosa idéia de fazer um sorteio de nomes (#medo), colocando todas as opções num saquinho e fazer uma melhor de 3. Renato seria uma homenagem ao meu padrinho e não só entrou no saco, como dizem ter saído 3 vezes. (#sorte).
Na minha infância, segui a sina. Escolhia tudo na base do sorteio, par ou impar ou do "uni-duni-tê", de doces a quem seria o líder do time de queimado.
Na adolescência fui aprimorando as técnicas e escolhia músicas para ouvir e roupas no uni-duni-tê e sinceramente nem percebia, era natural pra mim.
Hora de escolher o curso da Faculdade, claro que seria no sorteio, estilo melhor de 3 e, 3 vezes Letras. Pronto, decidido.
Quando contei isso,despretensiosamente num bate papo com a Marcela, amiga da vida inteira e, formada em...Matemática, é claro que ela analisou e falou:"mas se você sempre começar o "uni-duni-tê" pelo lado direito, o esquerdo ganhará e vice-versa, já que a musiquinha tem um numero certo de silabas, noves fora, multiplicado por 30 e dividido pela enésima potência blábbáblá #MEUMUNDOCAIU , afinal se estou numa lanchonete escolhendo um sanduíche não dá tempo de fazer o sorteio melhor de 3 e era sempre o "uni-duni-tê" que me salvava.
Assim, depois de muito pensar, desenvolvi um novo método "uni-duni-tê" que é quase uma coreografia. Quase um captcha da vida real. Voltei a minha vida normal.
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Você não é especial , Tati Bernardi
Você não é especial
Nosso namoro acabou durante uma festinha de gente moderna que odeia publicidade e ama literatura mas adora publicitário e detesta ler. Na cozinha. Você colocou duas pedras de gelo na taça de vinho, me mostrou o dedão da mão direita e disse "o que você vê aqui?". Não poderia ser um teste idiota pra saber se eu estava bêbada –eu não bebo. "Um dedão", eu disse. E você balançou a cabeça, olhou demoradamente pra bunda da gordinha que tentava alcançar a última cerveja na parte mais baixa da geladeira e me mostrou novamente o dedão: "aposto que você vê as linhas, a pelezinha que eu cutuquei, essa mancha de grafite de uma lapiseira de quando eu era criança e... eu me sinto mal com tudo isso".
Na manhã seguinte, fiquei horas sentada em frente a uma página do Word. Até que escrevi "vinho aguado" e apaguei. Escrevi "mais do que um simples dedão" e (achei ridículo demais e) apaguei. Escrevi "o gelo, a bunda e o dedão" e achei que parecia um conto pornô tosco e apaguei.
Quando a Marta chegou, eu estava ouvindo Cassandra Wilson e escrevendo "linhas, peles e manchas". Ela me deu um abraço demorado, do tipo "se quiser desmoronar sua carcaça condoída em meus ossos, te cedo esses segundos" e eu só desejei que ela fosse embora logo para eu poder terminar o texto. O epicentro da dor é cem vezes melhor pra criatividade do que qualquer curso "pra escritor" que publicitário faz pra se achar menos idiota.
Passei a tarde repassando meus detalhes preferidos. Seu jeito compenetrado e inseguro de descer escadas; a meia gigante e suada que nunca, nem por um dia sequer, cheirou mal; a nossa piada preferida sobre "mijar naquelas piscinas cheias de velas e flores, típicas de casamento metido a besta" e a micro sobrancelha esquecida que você tem a dois centímetros da sobrancelha oficial.
Eu tinha doze anos quando ouvi a voz pela primeira vez: "ela observou o caixão de longe e chorou. Não porque estivesse com vontade, mas porque estava com fome e achou que chorando alguém pudesse lembrar que ela ainda era uma criança e precisava comer". Eu estava no velório da minha avó e, de repente, tudo começou a ser narrado dentro da minha cabeça: "o mais terrível dentro de um caixão é o nariz do morto, o nariz morre mais e primeiro que todo o resto".
Lembro que uma tia me tirou dali, porque eu chorava muito, e me comprou um cachorro quente, numa barraquinha em frente ao cemitério: "e então ela jamais conseguiria comer um cachorro quente novamente" e "pelo menos não foi um sanduíche de presunto".
Te chamei para ir ao cinema, te deixei em casa e me convidei pra subir. Me comporto como um homem quando um homem é homem o suficiente pra me deixar com o pau duro. Seu dedão é torto, quente, com calos, com um resto de alergia do detergente de maçã verde, com uma sujeira de Bic azul há quatro dias mesmo você tendo compulsão em lavar as mãos, com um micro chumaço de no máximo sete pelos mais escuros e algumas penugens microscópicas mais alouradas.
A professora colocou um vaso lá na frente e mandou a gente descrever: vermelho, pequeno e para colocar flores. Eu escrevi: triste, vazio e barato. Ela mandou chamar minha mãe. Mesmo você não tendo a menor importância, tenho plena certeza de que era amor.
Tati Bernardi, na Folha, 14/04/2014
Tati Bernardi
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Em frente
Então a gente percebe que mais um ciclo precisa ser fechado.
Apesar do medo. Apesar da insegurança. do conforto que o velho trás, como uma roupa que se ajusta ao corpo. É preciso despir. Deixar para trás o que não agrega mais.
Restarão alegrias e cicatrizes.Aprendizado.
É preciso seguir em frente.E todo dia relembrar do mantra da minha vida: "Tudo passa". O bem e o mal. A alegria e a tristeza.Pode demorar. Pode ser agora. Posso nem sentir.
Mas passa. Vai passar.
Apesar do medo. Apesar da insegurança. do conforto que o velho trás, como uma roupa que se ajusta ao corpo. É preciso despir. Deixar para trás o que não agrega mais.
Restarão alegrias e cicatrizes.Aprendizado.
É preciso seguir em frente.E todo dia relembrar do mantra da minha vida: "Tudo passa". O bem e o mal. A alegria e a tristeza.Pode demorar. Pode ser agora. Posso nem sentir.
Mas passa. Vai passar.
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