domingo, 22 de maio de 2011

Imagens e palavras

Hoje o dia foi cheio!
Acordei cedo e fui comer a melhor tapioca do Rio de Janeiro, na feira da Gloria. Nem sei se a tapioca é tão boa assim, mas existe todo um contexto por tras dessa minha preferência tapioquistica que somado à simpatia da moça tapioqueira fazem com que o Point da tapioca esteja na frente das outras barraquinhas da cidade.
Depois, como é de costume, eu e Alex andamos (desculpa ae baby).
Fomos à Caixa Cultural conferir a "World Press Photo 2011". Já é um ritual, todo ano nós visitamos essa exposição e todo ano ficamos impressionados com a qualidade das imagens e pelas historias por tras delas. A exposição além de tudo, é também uma aula de atualidades.Sempre me choco ao ver as fotos de guerra, de dor e ver conexões entre o que acontece no Brasil e no resto do mundo.
Andamos de novo até o Centro Cultural Correios para visitar a exposição “Fernando Pessoa, plural como o universo”que estava em seu ultimo dia. A mostra é linda e muito bem cuidada, poesia por todos os lados, mas ultimo dia de exposição é sempre um inferno: milhares de pessoas se espremendo,fotografando, conversando, passando na sua frente e coisas do tipo. Bem que tentei ir antes, e acompanhada de uns amigos furões, mas nao rolou néam??
Passei rapidinho e fui ao CCBB conferir a exposiçao da Mariko Mori, que esta lindissima, mas devido a umas obras interativas e ao excesso de publico que o domingo traz ao CCBB , estava quase impossivel de ver também.Vou voltar durante a semana para ver com mais calma.
A expo da Laurie Anderson "I in U/ eu em tu" também no CCBB está lindissima, adorei o texto autobiografico "O Coelho cinza", (que depois vou procurar com calma para por aqui) e as frases de Laurie escritas nas paredes do CCBB.
Depois de tudo fui me arrastando até a pizzaria para jantar, com o corpo pesado e cansado, mas a alma leve, leve...
A imagem abaixo é do Word Press Photo. Achei tão poética, a mulher tocando no meio da loucura da cidade e fiquei imaginando se as pessoas que passam conseguem escutar as notas que saem do violoncelo.
 
Joséphine Nsimba Mpongo pratica violoncelo em Kinshasa, no Congo, em registro de Andrew McConnell, Irlanda, da Panos Pictures para a Der Spiegel

Amo imagens e amo palavras.

domingo, 1 de maio de 2011

A evolução do rock n' Roll

E não é que as coisas estão mesmo assim ? Já fui a vários shows onde algumas pessoas não dançam, não curtem ou sequer aplaudem.Passam o tempo todo gravando o show para postar nas redes sociais e dizer que foram. Mas desse jeito, será que foram mesmo? Não seria melhor economizar o ingresso e assistir um dvd do artista?
O mesmo acontece em algumas festas (festa de empresa é um ótimo exemplo) onde as pessoas mal conseguem conversar/comer/dançar, pois a todo momento vem alguem com sua personal cam juntando a galera e pedindo um xis.
Adoro fotos, acho válido registrar os momentos, mas de leve,né ?

Iimagem via graphjam.com

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Dos presentes...

"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:- ... mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca ...(...)"
Caio Fernando Abreu

Nem lembro se já postei isso aqui antes. Também não vou procurar.
Deu vontade de ler de novo e pronto. Fica para "Rememorar"
E sem saber do Caio, um dia qualquer escrevi esta frase. Em um tempo em que eu postava no Fotolog e não no Facebook.
A frase que Saturno deixou pra mim.